17 Julho 2008

BAQUE BOLADO




Festival de Inverno de Paranapiacaba 13/07/2008
texto: Nayara de Deus
foto e vídeo: Kauê Palazolli


Remédio contra Zica


O remédio é o bloco Baque Bolado (SP). A fórmula: o maracatu de Baque Virado do Recife (PE): mais um dos tesouros culturais deixados pelos africanos sequestrados de seus países há mais de três séculos e meio atrás.

Os componentes do bando são fotógrafos, atores, cantores, dançarinos, artistas circenses, cenógrafos que, desde 96 - da maneira mais alegre e lúdica possível - são capazes de fazer chacoalhar até o mais conservador dos seres que cruzar com o bloco pelas ruas.


Nesses mais de 10 anos de pesquisas rigorosas do vasto universo do folclore brasileiro, Baque Bolado incorpora com muito respeito, vários outros gêneros e estilos de arte à sua obra prima!


Falar mais pra quê??? Assista e sinta como o bando presenteou nossos espíritos no 8º Festival de Inverno de Paranapiacaba, evento cada vez mais Top!


(+ sobre Baque Bolado em: www.baquebolado.com)




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15 Julho 2008

OTIS TRIO

Festival de Inverno de Paranapiacaba
12/07/2008

texto: Nayara de Deus
Foto e vídeo: Kauê Palazolli

Jazz contemporâneo de dar gosto!

Que alegria me dá ouvir jovens rapazes fazendo Jazz autoral (autoral!) de tão alta qualidade...


...em tempos que Jazz feito por menores de 50 anos é, infelizmente, marcado pelo Jazz Fusion...sim...o jazz dos virtuoses..daqueles que estudaram tanto (mas tanto, mas tanto!!!) que não encontram outra alternativa, senão, exibir seus dotes técnicos, lotando seus improvisos de notas, sem necessariamente dizer algo substancial com as mesmas...Sem construir frases, sem nos fazer chorar...!
Bem..., voltemos a falar sobre o que realmente vale a pena:


Otis Trio, diferencia-se pelo entrosamento entre Luiz Galvão (guitarra), Flávio Lazzarin (bateria) e João Ciriaco (baixo acústico). Depois, o que vier acrescentar é lucro: E o lucro é proporcionado pelas participações de Daniel Gralha (trompete) e André Calixto (sax), que somam muito! Aliás, penso eu, que esses dois sopros deveriam juntar-se de vez à banda.
Eles não sabiam, mas seus caminhos já estavam cruzados...a história já estava escrita antes mesmo de Otis Trio, ou, Otis Trio 5, se conhecerem.

De fato, há muitos motivos para eu me estender com palavras...mas me contentarei em compartilhar com vocês,
melhores ouvintes, vídeo de "Walking" composição do trio... de tirar o fôlego! Não esqueça de respirar! rs.
Ps: Produtores no mínimo sensatos perceberão que
Otis é trio para sair do eixo São Paulo e vazar para o mundo!
Ah! Vale ressaltar que Otis Trio é made in
ABC paulista! Celeiro de artistas!


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04 Julho 2008

ZIMBO TRIO




Sesc Carmo

30/06/2008

"A turma dos 60's...olha...eles são imbatíveis", Amilton
texto: Nayara de Deus
fotos: Kauê Palazolli


A Bossa Nossa prevaleceu nesta noite em que os 'meninos' do Zimbo Trio, com 44 anos de estrada, passagens por palcos de 66 países - só na Alemanha, tocaram em 86 cidades - expuseram seus arranjos para canções de Tom, João Bosco, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil.

Destaque para a sessão em pout-pourri de composições de Milton, afinal... "se faz tudo com a música de Milton Nascimento", ressalta o gentleman, Amilton Godoy, pianista de forte formação erudita (e na minha interpretação, o melhor do Brasil).


Destaque (sempre) para aquele que ao contrário de Amilton, faz assim, um estilo mais malandro, um estilo mais jazz: Rubinho Barsotti, O Baterista (assim, em letra maiúscula mesmo). "A gente poderia estar tocando música americana mas o que nos faz continuar é, primeiro, a veracidade de ser músico, e segundo, a grande vontade de divulgar a música brasileira no mundo inteiro. Todo mundo é jazzista aqui...mas, a música brasileira está no sangue!", diz Rubinho...botando uma maaaaaala!


Pergunto a Amilton se hoje, ele ressalta ou, admira algum compositor nacional contemporâneo que poderia trazer inspiração aos MPB's. Ele responde: "De hoje? Jovem? Olha! Não vejo inspiração no que chamam hoje de música popular brasileira...infelizmente...


“Parece que o Brasil da música caminhou ao contrário!! Nós voltamos ao primitivismo!...Se você for pegar lá, os 65, 66, 67...o Fino da Bossa, que foi um programa em que a gente ficou 3 anos, nós, Elis Regina e o Jair, (o programa era semanal e nós éramos a base)...Naquele programa...olha...alí era difícil entrar, por que alí era só gente famosa, só gente boa...a primeira vez que Heraldo do Monte apareceu foi lá...Hermeto Pascoal, também, tocando com o Zimbo... Raul de Souza...o Edu Lobo. Então, acredito que hoje, o conhecimento inserido no contexto de ordem musical não tem fundamentação...é muito, muito...muito ruim mesmo! Aqueles acordezinhos..."


"Olha...o que eu acho é, que essa turma que apareceu na década de 60...Olha...eles são imbatíveis", confessou-me Amilton!


(Tem que ter: o instrumental Zimbo Trio + Metais ''Decisão'' 1969 + Zimbo Trio e Elis "O Fino do Fino")


(Veja trecho do show AQUI)...Zimbo Trio: mais de 40 anos juntos tocando sempre como se fosse a primeira vez!



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30 Junho 2008

ELZA SOARES





Sesc Santo André
28/06/2008

A Força, a Mulher, a Humildade, a Musicalidade
texto: Nayara de Deus
fotos: Paula Bernardo

Após o fervor de duas músicas, Elza Soares (71), a mulata assanhada de voz rouca e rasgada, conversa: "Sabe gente...sempre que eu subo aqui eu agradeço muito a Deus...Você sabe que isso é muito respeito..., muito respeito! E sabe, eu respeito muito vocês também..."

Acompanhada por Elcio Oliveira (baixo), João Andrade (bateria) e Jair Garcia (piano), a viúva de Mané Garrincha (não que a Nêga, claro, não tenha vivido fantásticas aventuras amorosas pós a morte do craque! rs), arranca risadas da plátéia...quando não, arrepios: vide parágrafo abaixo.

Coube à interpretação de Dor de Cotovelo fazer do drama do amor, o ápice da noite. Quando Elza, sem conter seu choro, se afasta do microfone,...mas consegue que sua voz alcance o último privilegiado sentado na última fileira do recinto! Incrível! A plátéia vai ao delírio!

Elza despede-se com Beba-me, ou melhor, tenta se despedir. Na volta ao bis entra dizendo: "Amo o Brasil mas, vivo muito em outros países e acho que a gente é muito acomodado...a gente aceita muito: PORRADA! PORRADA! PORRADA!"... e dá início a Eu Só Quero é Ser Feliz, em versão que faz levantar das cadeiras todas as senhoras e senhores, de terceira, meia, primeira idade...Virou festa!

Quando pergunto-lhe sobre algum momento de sua ilustre carreira que, talvez, por algum motivo, pudesse lhe trazer saudades, Elza lembra os seus 20 e poucos anos, quando esteve ao lado de Astor Piazzolla...recorda-se das vezes em que substituiu Ella Fitzgerald, dos momentos em que cantou ao lado de Oscar Peterson, Louis Armstrong...

Quando digo a ela que considero virtude uma artista de sua estirpe adentrar a um palco do ABC com tanta humildade e simpatia, ela diz: "Mas essas bandas eu conheço há muito tempo e respeito demais! Vínhamos muito aqui, eu, Taiguara e Garrincha quando Lula era sindicalista..."

Claro que não deixaria de pedir a Elza para enviar um recado à massa preta do Brasil. Vai Elza: "O negro é lindo! Não devemos nos sentir menos que nada! Temos que vigiar e orar por aquele que poderá ser o próximo presidente dos Estados Unidos: Barack Obama".

É...O dia em que se for a voz de Elza Soares, virar-se-á uma importante página da música popular brasileira!

SET LIST
Meu Guri / Se Acaso / Estatutos da Gafieira / Pra Que discutir com Madame / O Neguinho e a Senhorita
Exagero / Dor de Cotovelo / Volta Por Cima /Fadas / Pranto Livre / Palmas no Portão / Lata D'água
Teleco-Teco / Malandro / Beba-me

BIS
Eu Só Quero é Ser Feliz / A Carne

(Leia a biografia de Elza Soares do autor José Louzeiro, e saiba mais lendo "Estrela Solitária", de Ruy Castro)